terça-feira, 25 de setembro de 2018

Declaração de Lyon sobre o Acesso à Informação e Desenvolvimento

Declaração de Lyon sobre o Acesso à Informação e Desenvolvimento


A Revista Observatório, como periódico de acesso aberto, coaduna com as demandas expressas pela Declaração de Lyon.

Veja que elementos importantes são demandadas pela ciência aberta:

Declaração de Lyon sobre o Acesso à Informação e Desenvolvimento A Declaração de Lyon de agosto 2014 foi escrita em inglês (original). 

As Nações Unidas estão negociando uma nova agenda de desenvolvimento para dar seguimento aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. A agenda orientará a todos os países sobre as abordagens para melhorar a vida das pessoas, e apresenta um novo conjunto de metas a serem alcançadas durante o período de 2016-2030. 

Nós, abaixo assinados, acreditamos que o aumento do acesso à informação e ao conhecimento em toda a sociedade, amparada pela disponibilidade de tecnologias de informação e comunicação (TICs), apoia o desenvolvimento sustentável e melhora a qualidade de vida das pessoas. 

Portanto, exortamos os Estados-Membros da Organização das Nações Unidas para estabelecer um compromisso internacional para uso da agenda de desenvolvimento pós-2015 para garantir que todos tenham acesso a ela, e sejam capazes de compreender, usar e compartilhar as informações que são necessárias para promover o desenvolvimento sustentável e as sociedades democráticas. 

Princípios 

O desenvolvimento sustentável visa garantir a longo prazo a prosperidade socioeconômica e o bem-estar das pessoas em todos os lugares. A capacidade dos governos, parlamentares, autoridades locais, comunidades locais, sociedade civil, setor privado e os indivíduos a tomar decisões com base em informações essenciais para alcançar essa meta. 

Neste contexto, o direito à informação seria transformacional. O acesso à informação apoia o desenvolvimento, capacitação das pessoas, especialmente dos marginalizados e os que vivem em situação de pobreza, para: 

• exercer os seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. 

• Ser economicamente ativos, produtivos e inovadores. • Aprender e aplicar novas habilidades. 

• Enriquecer sua identidade e expressões culturais. 

• Tomar parte na tomada de decisões e participar de uma sociedade civil ativa e engajada. • Criar soluções baseadas na comunidade para os desafios de desenvolvimento. 

• Assegurar a prestação de contas, transparência, boa governança, participação e empoderamento. 

• Medir o progresso dos compromissos públicos e privados de desenvolvimento sustentável. 

Declaração 

De acordo com os resultados do Painel de Alto Nível sobre a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, as consultas pós-2015 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e das áreas de interesse do Grupo de Trabalho Aberto, que identificaram o papel crucial do acesso à informação no apoio ao desenvolvimento, nós, abaixo assinados, reconhecemos que:

1. A pobreza é multidimensional, e o progresso na erradicação da pobreza está vinculado ao desenvolvimento sustentável em diversas áreas. 

2. O desenvolvimento sustentável deve ocorrer em uma estrutura baseada em direitos humanos, em que: 

a) A desigualdade seja reduzida mediante a capacitação, educação e inclusão de grupos marginalizados, incluindo mulheres, povos indígenas, minorias, imigrantes, refugiados, pessoas com deficiência, idosos, crianças e jovens.

b) A igualdade de gênero, em conjunto com o engajamento social, econômico e político, pode ser significativamente aumentada pela capacitação das mulheres e meninas por meio do acesso equitativo à educação. 

c) a dignidade e a autonomia podem ser fortalecidas pela garantia do acesso ao emprego e trabalho digno para todos. 

d) O acesso equitativo à informação, liberdade de expressão, liberdade de associação e de reunião e à privacidade, são promovidos, protegidos e respeitados como sendo fundamentais para a independência do indivíduo. 

e) A participação pública de todos é assegurada para permitir que se apropriem das mudanças necessárias para melhorar a qualidade de suas vidas. 

3. O aumento ao acesso à informação e ao conhecimento, respaldada pela alfabetização universal é um pilar essencial do desenvolvimento sustentável. Uma maior disponibilidade de informação e dados de qualidade, e o envolvimento das comunidades na sua criação, proporcionarão alocação de recursos mais ampla e transparente. 

4. Intermediários da informação, como bibliotecas, arquivos, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e os meios de comunicação têm as habilidades e recursos para ajudar os governos, instituições e indivíduos a comunicar, organizar, estruturar e compreender os dados que são fundamentais para o desenvolvimento. Eles podem fazer isso: 

a) Fornecendo informações sobre os direitos básicos, serviços públicos, meio ambiente, saúde, educação, oportunidades de trabalho e despesa pública que apoie às comunidades locais e pessoas para orientar o seu próprio desenvolvimento. 

b) Identificando e focando a atenção nas necessidades e problemas relevantes e urgentes entre a população. 

c) Conectando os interessados para além das barreiras regionais, culturais e outras para facilitar a comunicação e o intercâmbio de soluções de desenvolvimento que possam promover um maior impacto. 

d) Preservando e garantindo o acesso permanente ao patrimônio cultural, aos registros governamentais e às informações, por meio da gestão das bibliotecas e arquivos nacionais e outras instituições de patrimônio público. 

e) Proporcionando fóruns e espaços públicos para uma maior participação da sociedade civil e o envolvimento na tomada de decisões. 

f) Oferecendo treinamento e desenvolvendo habilidades para ajudar as pessoas a acessar e compreender as informações e os serviços mais úteis para elas. 

5 A melhoria da infraestrutura de TICs pode ser usada para ampliar as comunicações, acelerar a entrega de serviços e fornecer acesso a informações cruciais, particularmente em comunidades remotas. Bibliotecas e outros intermediários da informação podem utilizar as TICs para reduzir a lacuna entre a política nacional e a implementação local para assegurar que os benefícios do desenvolvimento cheguem a todas as comunidades. 

6 Nós, abaixo assinados, portanto, convidamos os Estados-Membros das Nações Unidas a reconhecer que o acesso à informação e as habilidades para seu uso de forma eficaz, são necessárias para o desenvolvimento sustentável e assegurar que esta é reconhecida na agenda de desenvolvimento pós-2015: 

a) Reconhecendo o direito do público ao acesso à informação e dados, respeitando o direito à privacidade individual. 

b) Admitindo o importante papel das autoridades locais, intermediários da informação e infraestrutura, tais como as TICs e uma Internet aberta como meio de implementação. 

c) Adotando políticas, normas e legislação para assegurar o financiamento contínuo, a integridade, a preservação e difusão da informação por parte dos governos, e do acesso pelas pessoas. 

d) Desenvolvendo metas e indicadores que permitam medir o impacto do acesso à informação e dados e relatem o progresso das metas durante cada ano em um relatório de Desenvolvimento e Acesso à Informação (DA2I).

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Manifesto da Ciência Aberta

Manifesto da Ciência Aberta: Rumo a uma ciência aberta e inclusiva para o bem-estar social e ambiental
O manifesto foi elaborado pela Rede de Ciência Aberta e Colaborativa para o Desenvolvimento (OCSDNet), uma comunidade de pesquisa formada por doze equipes de pesquisadores da América Latina, África, Oriente Médio e Ásia.
O manifesto descreve 7 princípios que constituem uma ciência mais aberta e inclusiva em desenvolvimento. Assim, o Open Science:
Princípio 1: Promover o conhecimento como um bem comum. Ele permite uma herança comum de conhecimento na qual cada indivíduo tem os meios para decidir como governar e gerenciar seus conhecimentos para atender às suas necessidades.
Princípio 2: Integrar diferentes tradições científicas e formas de conhecer. Reconhece a justiça cognitiva, a necessidade de vários entendimentos de conhecimento para coexistir na produção científica.
Princípio 3: Abordar o papel do poder e da desigualdade na produção e distribuição do conhecimento. Praticar a abertura abordando as formas em que contexto, poder e desigualdade condicionam a pesquisa científica.
Princípio 4: Criar oportunidades de participação em todas as etapas do processo de pesquisa. Defende o direito de cada indivíduo à pesquisa e permite diferentes formas de participação em todas as etapas do processo de pesquisa.
Princípio 5: Incentivar a colaboração eqüitativa entre cientistas e atores sociais. Promove a colaboração equitativa entre cientistas e atores sociais e cultiva a co-criação e a inovação social na sociedade.
Princípio 6: Encorajar o desenho de mecanismos inclusivos de informação e comunicação . Ele incentiva infraestruturas inclusivas que capacitam pessoas de todas as habilidades a aproveitar e usar tecnologias de código aberto acessíveis.
Princípio 7: Melhorar o bem-estar da nossa sociedade e do nosso planeta . Esforça-se por usar o conhecimento como um caminho para o desenvolvimento sustentável, equipando cada indivíduo para melhorar o bem-estar de nossa sociedade e do planeta.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

social versus academic impact

http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2017/11/20/the-business-of-impact-academic-reward-and-incentive-cultures-continue-to-stifle-relationships-between-business-and-management-researchers-and-society/

Much of the evidence we gathered suggests that academic research is largely self-referential because the system of prestige, funding allocation and career progression remains largely centred on notions of scholarly impact related to publications. To put it bluntly, authors are faced with two options: undertaking socially impactful research (i.e. research that solves critical problems for businesses, governments or civil society organisations) or writing academically impactful publications (i.e. based on research that fits into popular academic debates and is likely to be cited by those engaged in those debates). The latter option merely requires a thorough knowledge of the literature. By contrast, the first option requires a good understanding of practical problems; some connections with non-academic organisations; and often the time, ability and desire to negotiate and manage long-term research collaborations that may or may not result in four-star publications. It may well be, as Catherine Durose has argued previously, that “some commentators see academic practice as a refuge from engagement”, but for many others the return on investment simply does not stack up.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

má conduta por parte de colaboradores científicos

Você pode ser responsável por má conduta por parte de colaboradores científicos?
Se você não cometeu má conduta ao pesquisar e sim outra pessoa, então a culpa é dela. Certo? Não. O que antes parecia evidente quando o assunto era má conduta na pesquisa científica não é assim tão claro.
Uma recente decisão, relatada pelo Retraction Watch, mostra que esse assunto ainda é bem nebuloso. O caso relatado é do pesquisador Christian Kreipke, da Wayne State. Ele foi proibido por cinco anos de receber financiamento federal por má conduta, que segundo o advogado de defesa, foi realizada por outro cientista colaborador.
Segundo a notícia, o prof. Kreipke coordenava um laboratório grande, onde muitos pesquisadores atuavam, não sendo possível ele validar todos os dados de todos os pesquisadores atuantes. Normalmente uma prática até aqui no Brasil, onde “confiamos” que o colega pesquisador (seja em exatas, biológicas e, até em humanas e sociais) não falsearia os dados de pesquisa. Pois foi o que aconteceu em certo dia com o referido pesquisador. Ele foi informado que uma investigação foi iniciada por falsificação de dados em publicações e que era o responsável pela má conduta de quem fez isso, sendo demitido.
Saiba como essa história se desenrolou em: https://retractionwatch.com/…/are-you-liable-for-misconduc…/
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